RESENHA - FOME
- Pedro Kiss
- 8 de ago. de 2016
- 2 min de leitura

A sua vida pode não ser como você espera, você pode não ter a profissão que quer ou a casa que quer, mas, se você consegue viver bem e ter pelo menos três alimentações ao dia, você é uma pessoa de sorte. Claro, você tem todo o direito de reclamar, mas tem que ter uma certa noção do que diz, já que muitos moram nas ruas, sem ter uma cama quente pra dormir ou um prato de comida no fim do dia. Só que, esse sentimento de pena que muitas vezes temos, é certo? Temos pena por solidariedade ou para nos sentirmos menos mal com a situação? Uma falsa empatia para encher o ego e as redes sociais, mas realmente fazemos algo? Precisamos fazer algo? Essas são algumas questões que o filme de Cristiano Burlan aborda e mostra o outro lado, o lado de quem sente frio, fome e as vezes gosta de estar livre na rua.
Realmente não sei se posso falar que se trata de um documentário. O filme brinca de misturar relatos verdadeiros dos moradores de rua com cenas em que o personagem “Malbou” interage com outras pessoas, que pensam que ele é mais um na rua. O longa é uma mistura de projetos e visões que conduz uma história.

Jean-Claude Bernardet consegue atuar de uma forma muito sincera, apresentando pouca coisa do seu personagem e tratando do agora. Sua atuação parece falar por si mostrando que tanto faz o que aquele homem era antes, mas agora o corpo esguio, curvado e machucado pela vida mostra todo um sofrimento consciente. Aliás, sua atuação contribui muito para falarmos mais sobre o real objetivo do filme, que é sobre como a sociedade encara (ou não encara) o ser humano que vive na rua e como ela digere isso tudo. Quando temos pena é porque queremos ajudar ou porque queremos nos auto satisfazer? Por exemplo, quando dizemos para nós mesmos que somos pessoas boas por estar dando comida a um morador de rua. Mas isso não passa de uma crise de existência, que é insignificante perto das outras pessoas que desviam o olhar, que tentam não passar perto, que dizem não ter dinheiro para ajudar quando, na verdade, acabou de gastar R$ 100 em algo fútil que não vai mudar em nada sua vida.
Ao todo a trama é um pouco confusa se olharmos muito de perto, mas é a mensagem ao todo que salva esse filme. Nos fazendo pensar e mostrando que, infelizmente, ser egoísta é algo que parece ser natural do ser humano. Vale a pena ser assistido, tire as suas próprias conclusões e comente aqui para a gente.





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